Hélder Silva afirma que ainda não se decidiu a extinção do IMAR e o Okeanos vai ser no futuro um Instituto

 

O Director do IMAR, Hélder Marques da Silva, afirmou ontem ao Correio dos Açores que o Instituto continua a funcionar com 30 investigadores a gerir dezenas de projectos, alguns dos quais internacionais.

Além da Universidade dos Açores, fazem parte do IMAR a Universidade Nova de Lisboa, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Universidade do Algarve, a Universidade de Coimbra, entre outras.

É por isso que, na opinião de Hélder Marques da Silva, a Universidade dos Açores não pode extinguir o IMAR nem “nunca me ouviram anunciar, enquanto Presidente do IMAR, a sua extinção”, afirmou.

Hélder Silva manifestou-se descontente por, segundo ele, a notícia da extinção do IMAR ter surgido com base num email anónimo que despoletou toda a informação de que o Instituto será extinto.

Hélder Marques da Silva salientou, por outro lado, que concorda com a decisão da Universidade de constituir o Okeanus, enquanto instituição de cariz científico virada para o mar. Não exclui a hipótese de o Okeanos, no futuro, vir a assumir-se como um instituto e investigação mas, como realça, esta decisão não está tomada.

Nas declarações ao Correio dos Açores, Hélder Marques da Silva assume que a Universidade dos Açores não pode extinguir o IMAR. O que pode fazer é, numa Assembleia Geral das Universidades que constituem o Instituto, propor a sua extinção ou manifestar a sua intenção de sair. Mas, mesmo uma decisão que aponte neste sentido ainda não está tomada.

Estas declarações, feitas ontem ao Correio dos Açores não estão em perfeita sintonia com uma declaração que Hélder Silva fez à Antena 1 Açores de que o IMAR “é um projecto que está perto do seu termo”.

“Neste momento”, afirmou o Presidente do IMAR à rádio pública açoriana, “o que está em cima da mesa por decisão da Universidade com a qual nós concordamos aqui – e quando digo nós, digo os investigadores e docentes do Departamento – é uma estratégia que passa por criar neste pólo um instituto com autonomia administrativa e , futuramente, também, autonomia financeira”.

Na altura deste anúncio de um alegado fim do IMAR, cerca de meia centena de investigadores e técnicos juntaram-se em frente às instalações do DOP- Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores , a fazerem um minuto de silêncio de ‘luto’ pela morte anunciada do IMAR.

Estes profissionais de investigação marinha manifestaram preocupação com o futuro da investigação marinha nos Açores e com o seu próprio futuro.

Aliás, um dos investigadores, que pediu o anonimato, declarou que “é uma má ideia sair ou extinguir uma Unidade (IMAR) que gere tantos projectos de alto nível e emprega tantas pessoas no Faial”.

Segundo este mesmo investigador, o IMAR “dá prestígio à Universidade dos Açores e é a unidade de investigação que gere os navios científicos”.

Entretanto, o deputado do CDS-PP, Rui Martins, questionou, ontem, o Governo Regional sobre o anúncio público de encerramento do IMAR – Instituto do Mar, que depende do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.

É um instituto, segundo o deputado, “com quem a Região tem vários protocolos e contratos estabelecidos visando a obtenção de informação para a adopção de decisões políticas de gestão dos recursos da pesca na Região”.

O deputado faialense mostra preocupação, no requerimento, com o fecho do IMAR, lembrando que a decisão foi conwtestada por técnicos, investigadores e docentes do departamento universitário e que o Centro do IMAR realiza investigação “no âmbito das Ciências e Tecnologias do Mar e do Ambiente Aquático, mantendo actividades de investigação e intercâmbio com instituições nacionais e estrangeiras e constituindo uma entidade de referência na produção de conteúdos científicos”.

São objectivos do IMAR a realização de investigação “fundamental e aplicada no âmbito das Ciências e Tecnologias do Mar, do Ambiente Aquático e domínios científicos afins”; e  contribuir para a transmissão e difusão científica e cultural do saber acumulado, nomeadamente através da participação nas actividades de ensino graduado e pós-graduado em curso no Departamento de Oceanografia e Pescas.

O ‘Correio dos Açores’ só ao fim do dia de ontem conseguiu contactar o Director do Okeanos, Dr. João Gonçalves, que, embora admita que haja uma outra corrente de opinião que entende que as coisas se devem manter tal como estão, é de opinião que a instituição que dirige deve avançar para a acreditação e, posteriormente, dever constituir-se como Instituto com autonomia financeira. E que, depois, deve ser o Okeanos, no quadro da Universidade dos Açores, a candidatar-se a projectos de investigação. Se vencer a sua opinião, o IMAR deixa de fazer sentido.

Também tentámos contactar alguns dos investigadores do IMAR, nomeadamente Telmo Morato que, por se encontrar em reuniões na Escócia, disse não estar bem informado sobre a evolução que terá ocorrido.

Fonte: Correio dos Açores

 
 
 

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