Açores fazem inquérito para aferir impacto da pesca lúdica

 

O Governo dos Açores vai fazer um inquérito nas nove ilhas do arquipélago para aferir o impacto da pesca lúdica, anunciou hoje o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes.

“Para tomarmos medidas temos que conhecer bem a realidade de cada uma das situações e, neste caso, infelizmente não é só nos Açores, é em todo o sítio, normalmente os dados da pesca lúdica, porque não há obrigação de reportar as quantidades que são capturadas, são muito escassos”, afirmou Gui Menezes.

O governante falava aos jornalistas após ser ouvido na Comissão Permanente de Economia do parlamento regional no âmbito de uma petição da Cooperativa Porto de Abrigo e do Sindicato Livre dos Pescadores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

A petição propõe “financiar a paragem da pesca para garantir a sustentabilidade das pescarias e dos pescadores” e “simplificar o exercício da atividade para assegurar a transparência e o cumprimento das boas práticas”.

Segundo Gui Menezes, o inquérito vai ser elaborado por investigadores afetos ao Programa Nacional de Recolha de Dados para ser feita uma “primeira avaliação da realidade” e “estimar quanto é que esse setor captura”.

“Depois desse estudo tomaremos as medidas e algumas delas, eventualmente, passarão pela redução do número de exemplares de algumas espécies cuja captura é permitida”, referiu, admitindo que para determinadas espécies a permissão de captura de exemplares é exagerada “para uma atividade que se diz lúdica”.

Gui Menezes frisou, contudo, que a pesca profissional é aquela que tem maior impacto nos recursos, dada a quantidade, mas o impacto da pesca lúdica “será algum” que necessita de ser avaliado.

Antes, após falar na mesma comissão, o presidente da Federação das Pescas dos Açores, Gualberto Rita, manifestou preocupação quanto à pesca lúdica, três anos depois de ter proposto a “alteração do peso a ser permitido capturar” nesta atividade.

A este propósito, Gualberto Rita alertou para a necessidade de serem tomadas medidas pelo Governo Regional, dado que “está a haver uma economia paralela em certas ilhas, mais precisamente” nos grupos central (Faial, Terceira, São Jorge, Pico e Graciosa) e ocidental (Flores e Corvo) do arquipélago.

“Falar em fiscalização não é suficiente, o que queremos é que haja novas regras para a regulamentação da pesca lúdica, ou seja a redução do peso permitido para pescar”, frisou o dirigente.

Sobre a petição, Gualberto Rita referiu que não tem acolhimento junto das 11 associações que a Federação das Pescas dos Açores representa.

“Achamos que não há necessidade de avançar para esta paragem e que estão reunidas as condições para a sustentabilidade dos recursos”, disse, observando que a proposta “em nada ajuda o setor das pescas nos Açores”.

Também sobre a petição, o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia destacou não haver “nenhuma ameaça grave à conservação dos recursos, pelo que não há necessidade por questões de sustentabilidade de implementar qualquer defeso por questões biológicas”.

“O que é sugerido pelos peticionários seria colocar o setor das pescas num estado caótico, afetando toda a fileira da pesca, as empresas de comercialização de pescado e o abastecimento do mercado”, acrescentou.

Fonte: Açoriano Oriental

 
 
 

1 Comentário

  1. luis pereira diz:

    o sr Gualberto
    Rita não sabe o que fala ou fala o que quer pois onde é mas intensivo é o pescado em S. Miguel que vão barcos a pesca cheios de gente e com menores a bordo deve sim as autoridades fiscalizar essas pessoas e o tamanho do pescado pois para eles tudo o que vem a rede é peixe tenha a santa paciência, o sr secretario veja o impacto se acabar com a pesca lúdica,
    impacto financeiro e cultural e as marinas do grupo central passariam a ficar como a de ponta delgada cheia de caca de gaivotas, não façam mais asneiras defenda a sua terra

 
 

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