Açores // Faltam 120 toneladas para o fim da quota e o goraz e peixão estão a ser comprados em lota a preços mais baixos do que em 2016

 

Nos últimos dois dias passaram nas lotas dos Açores 4,2 toneladas de goraz, vendido a um preço médio de 11.97 euros o quilo, e 955 quilos de peixão, a um preço médio de 9.29 euros o quilo. Nos mesmos dois dias do ano passado passaram nas lotas da Região 1,8 toneladas de goraz a um preço médio de 16.60 euros e 828 quilos de peixão a 10.98 euros o quilo.

Se os números que a Lotaçor disponibiliza na internet não enganam, o goraz e o peixão estão a ser vendidos, por estes dias, na lota a preços mais baixos dom que nos mesmos dias de 2016.
Este ano e até ontem, já foram capturadas 298,6 toneladas de goraz a um preço médio de 14,07 euros, e 122,5 toneladas de peixão a um preço médio de 11.28 euros, o que perfaz 421,2 toneladas. Como a quota é de 541 toneladas, os pescadores ainda podem pescar até ao último dia de Dezembro 120 toneladas de goraz e peixão.
No dia 14 de Novembro de 2016, segundo as mesmas estatísticas da Lotaçor, tinham sido descarregadas em lota 237 toneladas de goraz a um preço médio de 14.39 euros, e 225,6 toneladas de peixão a um preço médio de 8.32 euros, o que perfazia, na totalidade, 462,6 toneladas. Como a quota o ano passado foi de 507 toneladas, os pescadores só podiam pescar mais 34,4 toneladas de goraz.

 

Os números da Lotaçor não enganam

A Secretaria Regional do Mar, da Ciência e da Tecnologia tem defendido uma gestão da quota do goraz para que os armadores e pescadores possam concentrar nos últimos dois meses do ano uma maior quantidade de quota de goraz e peixão que estão mais caros, nomeadamente, no mercado de Vigo, mas também no mercado de Portugal continental.
Ora, nos dias 13 e 14 de Novembro de 2016 o goraz estava a um preço médio na lota de 16.60 euros e o peixão estava a 10.98 euros. A 14 de Novembro do ano passado havia 34,4 toneladas de goraz e peixão para pescar.
Nos últimos dois dias, o preço médio do goraz vendido em lota foi de 11.97 euros o quilo; e o peixão foi vendido a 9.29 euros. Os armadores e pescadores ainda podem pescar à volta de 120 toneladas.
Se estas estatísticas da Lotaçor na Internet não enganam, quem compra goraz e peixão nos Açores tem um mês e meio para comprar mais barato do que o ano passado e ganhar muito dinheiro com esta espécie, sobretudo no mercado internacional.
A lógica da Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia funcionava (guardar mais goraz e peixão da quota para o final do ano quando o preço está mais elevado no mercado nacional e internacional), se fosse o armador a vender o peixe directamente ao consumidor. Mas o facto é que isso não acontece.
Segundo os especialistas em pescado contactados pelo Correio dos Açores, O que impera para o comerciante é outra lógica. Os compradores têm, em praticamente 45 dias, 120 toneladas de goraz e peixão para adquirir (o ano passado tinham apenas 34,4 toneladas na mesma altura). E como é muito peixe na oferta, os preços baixam na compra em lota seja qual for o preço a que o peixe estiver no mercado internacional. E, nestes termos – segundo os mesmos especialistas –, a mais-valia vai, na sua quase totalidade, para os comerciantes.
“A não ser que estejamos enganados, os comerciantes avaliam o preço em lota não pelas 120 toneladas que ainda faltam pescar mas pelos preços a que o goraz e o peixão vão estar no mercado nacional e internacional. Vamos aguardar para ver”, concluem os nossos informadores.

 

 O aumento de quota

Recorde-se que o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia anunciou, recentemente, que a quota do goraz passou de 507 toneladas para 541 este ano, o que, na opinião de Gui Menezes, constitui  “uma boa notícia” para os armadores e pescadores açorianos, na medida em que “podem vir a obter mais rendimento com a pesca desta espécie de elevado valor comercial”.
Segundo Gui Menezes, a distribuição das 34 toneladas de goraz pelas ilhas do arquipélago “será discutida com os parceiros do sector”, sendo que o seu consumo pela frota açoriana ficará limitado ao último trimestre do ano.
O Secretário Regional salientou ainda que “este aumento da possibilidade de captura de goraz para a Região não coloca em causa a sustentabilidade do recurso”.

Fonte: Correio dos Açores

 
 
 

1 Comentário

  1. JJ diz:

    má gestão do governo e não só…..

 
 

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